segunda-feira, 27 de maio de 2013

O DIALOGISMO FREIREANO PARA AS INCERTEZAS DE HOJE

As discussões propostas pelos estudos da pedagogia de Paulo Freire versam sob muitos aspectos fundamentais para a prática docente, dentre eles o dialogismo entre os homens e os saberes. A flexibilidade e autonomia, respectivamente, do professor e do aluno devem atrelar-se para conduzir a aprendizagem significativa. Para Davi e Castro-Filho (2009), os cinco pressupostos que norteiam a relação dialógica entre professor e aluno são: “amor, humildade, fé nos homens, esperança e pensar crítico”.
Discutiremos cada um desses elementos ao longo deste texto, procurando associá-lo a prática docente do professor tutor e estudantes pupilas.
Ao iniciar com a categoria “amor”, direcionada à atividade docente, Paulo Freire sugere ao professor criar momentos de empatia com o discente para que, desse modo, possa construir laços afetivos capazes de uni-los. Além disso, o amor na educação constrói-se como atividade de compromisso e responsabilidade intelectual para com o outro. Tal fato só é possível a partir da humildade provocada pelo diálogo aberto e flexibilidade que o mestre deve ter com seus discípulos e vice-versa. Portanto, é necessário saber compreender e enxergar no outro suas próprias limitações, defeitos e qualidades. Assim, Paulo Freire sustenta que não há diálogo com ignorância.
Além disso, o diálogo só é passível de acontecer, se vier atrelado à capacidade humana de acreditar no potencial do outro. Muitos professores são fundamentais para determinar a rejeição ou aceitação de um pensamento crítico, ou mesmo, a escolha profissional do estudante, dentre outras possibilidades. Isso ocorre devido a competência do ser humano em acreditar uns nos outros, ou seja, a fé nos homens alicerça os pilares para a educação.
Nesse sentido, a esperança no futuro através do outro direciona os objetivos da aprendizagem, afinal o aluno espera no professor e este ambiciona o sucesso daquele. O diálogo faz-se por meio de uma justaposição de pensamentos e ideias.
Para finalizar, Paulo Freire ambiciona o pensar crítico como sendo a efetivação da autonomia do sujeito em processo de aprendizagem. Ou seja, o professor deve conduzir seu aluno para o pensar reflexivo, por isso autônomo e crítico, afinal conjecturar suas próprias opiniões requer conhecimento e sabedoria.
Ao relacionar a dialogicidade freireana com o mundo contemporâneo, sobretudo, com a EAD e a atividade docente de tutoria, vários destes fundamentos tornam-se essenciais para conduzir o bom andamento da disciplina, bem como o semestre letivo. O tutor empenhado conduz seus alunos por meio de um diálogo flexível, mas com responsabilidade de fazer valer a pena as colunas da educação. Se associarmos as ideias de Freire às do educador e filósofo francês Edgar Morin, especialmente, no livro “Os sete saberes necessários à educação do futuro”, veremos um intercâmbio do ensino pelo viés do conhecimento qualitativo. Segundo Morin, a universidade e o professor devem instruir o aluno para lidar com as incertezas da vida profissional e do mundo, a fim de que os estudantes desenvolvam suas habilidades e competências também para o crescimento pessoal.
Desse modo, nossa prática de tutoria consiste numa espécie de aprendizado e dialogismo dinâmicos, principalmente, na medida em que também lidamos (sem preconceito, ou melhor, sem arrogância) com algumas incertezas, por exemplo: quanto à estrutura do município e do Polo, se teremos material audiovisual para direcionarmos a aula de maneira diversificada; o cuidado de não sermos démodé e utilizarmos em demasia os recursos digitais ou mesmo uma linguagem que distancia-nos dos alunos; nossas condições precárias de trabalho e falta de reconhecimento, dentre outras (in) certezas da profissão.
Com base nisso, precisamos analisar nossa atividade de tutoria compreendendo que, as teorias de Paulo Freire mantêm-se atuais e merecem ser revisitadas com o olhar crítico às incertezas do mundo contemporâneo.

Um comentário:

  1. Muito bom você lembrar dos ensinamentos de Edgar Morin e os sete saberes necessários à educação (leitura recomendada).
    Os ensinamentos de Paulo Freire são mesmo muito atuais e necessários à nossa prática docente. Compreender suas lições pode nos auxiliar muito no momento de despertar no aluno a empatia e a confiança necessárias para que ocorra uma aprendizagem satisfatória.

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