sábado, 11 de maio de 2013

RELATO II_EAD ERASMO DE OLIVEIRA FREITAS

Resolvi me tornar ator da EAD por curiosidade em atuar em uma modalidade educacional moderna e promissora e por interesse em conhecer tal modalidade. Senti-me honrado em ter sido selecionado para realizar o Curso Inicial de Formação de Tutores pela UFC Virtual. Fiz o curso com muita dedicação e interesse. Sem falsa modéstia, dediquei-me demais e fui um aluno bem participativo. Gostei de tudo: da turma, do assunto, da novidade, dos textos, da professora, enfim. Foi uma experiência inesquecível. Após a conclusão do curso, fui selecionado a atuar na primeira disciplina. Recebi a notícia da melhor maneira possível, sinceramente. Entrei com o pé direito: fiz o curso, fiz a inscrição na seleção pública, fui selecionado honestamente e aceitei com alegria. Minhas expectativas foram sendo quebradas aos poucos, pois, mal entrei percebi o descaso com que a instituição tratava a EAD. Desde a atuação da coordenadora da disciplina, à da secretaria do curso, percebi que tinha muita coisa errada. Entrei na EAD por acreditar na modalidade, na possibilidade real de ela contribuir para o crescimento pessoal, acadêmico e profissional de alguém, mas, infelizmente, o que descobri de pronto foi um descaso generalizado. Tive a sorte de ter excelentes alunos, minha turma era estimulante. Foi ela quem me deu forças para continuar. Foram tantos problemas que pensei em atuar somente naquele semestre. Seria uma curta e intensa experiência. Tive problemas de todas as ordens: falta de informação da coordenação, do setor financeiro, da Fundação que providencia a ajuda de custo, da secretaria do curso, da coordenação do pólo, olha, era tanto erro, tanta coisa improvisada que fui ficando desinteressado. Como tinha assumido o compromisso mais pessoal que profissional em ir até o final, fiquei. Honrei minha palavra, pela minha turma, exclusivamente. De lá para cá, já se passaram três semestres e oito turmas. Fiquei na esperança de algo melhorar, de algo ser feito. Cresci muito como profissional e aprendi mais que ensinei. Recebi muitos elogios dos meus alunos, que me apontam como ótimo professor, muito presente e atento. Fico extremamente honrado com isso. De tal modo, recebo elogios dos meus coordenadores e da equipe dos pólos em que atuei. Não é exposição de feitos, que fique claro, nem vaidade, mas é necessário eu dizer que gosto do que faço, dedico-me à função, quando isso fica claro, ganho o agravante do que quero dizer: sinto que não vale à pena... Já sofri um acidente de trabalho em um pólo da EAD, o que fizeram por mim? Nada. Já fiz várias viagens de risco pela EAD, qual minha segurança de trabalho? Nenhuma. Já li e comentei com muitos detalhes de avaliação os portfólios dos meus alunos e acompanhei de perto os fóruns, chats e a preparação de encontros presenciais, deveria, pelo menos, receber minha bolsa, mas recebo regularmente? Negativo. A única razão que ainda me prende na EAD é a certeza que posso fazer algo pelos alunos, porque, com raríssimas exceções, o que nós, tutores a distância, temos é: bolsas financeiras medíocres, atrasadas, descaso nos contatos que fazemos com a instituição, pólos mal administrados, secretarias desorganizadas, secretárias grosseiras e que não gostam muito de trabalhar, coordenadores que veem a EAD como “bico” e não a levam a sério, insegurança profissional, afinal não somos concursados, não temos carteira assinada, não temos contrato de trabalho. Gente! O que somos, afinal? É muito trabalho, é muita cobrança, é muita responsabilidade e POUQUÍSSIMO estímulo. Por essa razão, muito provavelmente esse é o último semestre que atuo na EAD. Confesso que estou cansado de tentar... Erasmo de Oliveira Freitas

Um comentário:

  1. Erasmo,
    Admiro a forma como você gosta de dar aulas e como isso o estimula a continuar fazendo bem o seu trabalho. Acho que o mais importante para que tudo dê certo é acreditarmos em nós mesmos e no que fazemos e, é claro, procurar fazer um trabalho correto e de qualidade.

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