sábado, 8 de junho de 2013

Os cinco pilares de Paulo Freire_Por Erasmo Freitas

Paulo Freire é, sem sombra de dúvidas, um dos maiores pensadores da Educação. Não apenas pela teoria apresentada ao mundo com ilustrações de prática, mas pela operacionalidade de suas ideias. São muitas as frases dele que servem por si como bálsamo a nós, educadores, por lembrarem o nosso papel como mediadores do conhecimento. Dentre os ensinamentos deixados como legado, os chamados cinco pilares de Freire propagam um modo de conceber a práxis docente e compreender nosso papel de forma plena. 

Um desses pilares é o AMOR. O amor é apresentado por Freire como um pilar que sustenta, na verdade, qualquer coisa. Muitos professores veem esse pilar de modo deturpado e tecem impropérios conta tal ideia. Há quem diga que não é preciso, nem obrigatório sentir amor pelos alunos, pela comunidade escolar como um todo. Na verdade, esse pilar é mal interpretado mesmo. Vejamos: basta um pouco de reflexão, equilíbrio e bom senso, porque não uma boa dose de conhecimentos de interpretação textual para compreender que o AMOR que Paulo Freire apregoa é pela profissão, é pelo ofício, pela ideia de mediar conhecimentos e pelo desafio que assumimos perante à sociedade. Não é o amor de Eros, aquele da paixão, é o amor do carinho pelo que se faz, da dedicação e do zelo que se tem àquilo que se propõe a fazer. Isso não significa ficar abraçando os alunos gratuitamente, distribuindo beijinhos e sorrisos. NÃO! Trabalhar com amor também NÃO significa ser alienado aos seus direitos como professor e não ir atrás de melhorias de salário e condições de trabalho. Trabalhar como amor é cumprir seu papel de educar! Os alunos não têm nada a ver com as políticas públicas para a educação e não podem sofrer as consequências dos abusos e das atitudes questionáveis das ditas autoridades da Educação... O amor é de fato um pilar grandioso, pois sem ele não temos como trabalhar plenamente. Podemos ensinar, mediar conhecimentos e educar com amor, ao mesmo mesmo em que corremos atrás de nossos direitos... é saber conciliar!

Outro importante pilar apontado por Freire é a HUMILDADE. Os professores têm estudo, isso é certeza! Seja por autodidatismo ou por cursos tradicionais. Nesse último caso, tais estudos podem se dividir em ensino médio profissionalizante - o antigo curso normal, graduação e pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado), esses cursos podem de fato oportunizar muito estudo e trabalho intelectual, mas isso não significa que alguém seja dono do conhecimento ou da razão... os conhecimentos são múltiplos e são impossíveis de serem dominados por uma pessoa só... Precisamos ter segurança naquilo que sabemos e humildade para mediá-los, bem como humildade de reconhecermos nossas limitações. Humildade, é claro, não deve ser confundida como maneiras de se vestir, de andar de ônibus e de ser modesto, não! Humildade é um ato espiritual, anímico, que envolve suas atitudes e ações perante o mundo...

Além de AMOR e HUMILDADE, Freire aponta a FÉ NOS HOMENS como um pilar também importante de envolvimento com a profissão de educador. A fé aqui é entendida no sentido de acreditar no poder mutante dos homens, na pujança da educação como meio transformador de convicções, de tabus, de hábitos, de cultura e de visões humanas. Acreditar que a educação pode mexer com povos é ter metas a cumprir em sala de aula. Percebamos que a educação não muda o mundo, mas muda as pessoas, estas sim mudam o mundo, no dizer dele. Ainda pensando nos pilares freireanos, há de se comentar a ESPERANÇA, pilar fortemente associados à fé, pois, esperança é desejar que as mudanças ocorram. Aquela história de que: "os alunos não querem nada" é questionável, pois eles podem não saber o que querem, mas eles querem algo... basta mediarmos o contato deles com o conhecimento. Se não acreditarmos que nosso trabalho é um meio potencial de mexer com as pessoas, porque ainda somos professores? 

O último pilar apontado por Freire como sustentação da Educação é o PENSAR CRÍTICO. Esse pilar é forte quando pensamos que não basta mediarmos o conhecimento dos nossos alunos se nós somos alienados... seria "faça o que digo, mas não faça o que faço"... Precisamos estar cientes do nosso papel e do nosso dever. Tal afirmação é importante no que tange à necessidade de o professor precisar ser qualificado e preparado para atender às demandas sociais. Pensar criticamente é refletir sobre o exercício da profissão e tudo que está subjacente a ela. Observamos, então, que os cinco pilares de Freire são interligados e funcionam plenamente quando estão associados. Paulo Freire exemplifica perfeitamente sua proposta ao sugeri-la e, não, impô-la severamente. O mais exemplo de Freire foi realmente as ações engendradas por ele. Se elas serão aceitas por nós, integral ou parcialmente, se tentarmos... vamos? 



Cordiais saudações,
Erasmo.


Um comentário:

  1. Muito bom seu texto, Erasmo, bem escrito e muito esclarecedor. Vale a pena ser lido.

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