Paulo Freire é, sem sombra de dúvidas, um
dos maiores pensadores da Educação. Não apenas pela teoria apresentada ao mundo
com ilustrações de prática, mas pela operacionalidade de suas ideias. São
muitas as frases dele que servem por si como bálsamo a nós, educadores, por
lembrarem o nosso papel como mediadores do conhecimento. Dentre os ensinamentos
deixados como legado, os chamados cinco pilares de Freire propagam um modo de
conceber a práxis docente e compreender nosso papel de forma plena.
Um desses pilares é o AMOR. O amor é
apresentado por Freire como um pilar que sustenta, na verdade, qualquer coisa.
Muitos professores veem esse pilar de modo deturpado e tecem impropérios conta
tal ideia. Há quem diga que não é preciso, nem obrigatório sentir amor pelos
alunos, pela comunidade escolar como um todo. Na verdade, esse pilar é mal
interpretado mesmo. Vejamos: basta um pouco de reflexão, equilíbrio e bom
senso, porque não uma boa dose de conhecimentos de interpretação textual para
compreender que o AMOR que Paulo Freire apregoa é pela profissão, é pelo
ofício, pela ideia de mediar conhecimentos e pelo desafio que assumimos perante
à sociedade. Não é o amor de Eros, aquele da paixão, é o amor do carinho pelo
que se faz, da dedicação e do zelo que se tem àquilo que se propõe a fazer.
Isso não significa ficar abraçando os alunos gratuitamente, distribuindo
beijinhos e sorrisos. NÃO! Trabalhar com amor também NÃO significa ser alienado
aos seus direitos como professor e não ir atrás de melhorias de salário e
condições de trabalho. Trabalhar como amor é cumprir seu papel de educar! Os
alunos não têm nada a ver com as políticas públicas para a educação e não podem
sofrer as consequências dos abusos e das atitudes questionáveis das ditas
autoridades da Educação... O amor é de fato um pilar grandioso, pois sem ele
não temos como trabalhar plenamente. Podemos ensinar, mediar conhecimentos e
educar com amor, ao mesmo mesmo em que corremos atrás de nossos direitos... é
saber conciliar!
Outro importante pilar apontado por Freire
é a HUMILDADE. Os professores têm estudo, isso é certeza! Seja por
autodidatismo ou por cursos tradicionais. Nesse último caso, tais estudos podem
se dividir em ensino médio profissionalizante - o antigo curso normal,
graduação e pós-graduação (especialização, mestrado e doutorado), esses cursos
podem de fato oportunizar muito estudo e trabalho intelectual, mas isso não
significa que alguém seja dono do conhecimento ou da razão... os conhecimentos
são múltiplos e são impossíveis de serem dominados por uma pessoa só...
Precisamos ter segurança naquilo que sabemos e humildade para mediá-los, bem
como humildade de reconhecermos nossas limitações. Humildade, é claro, não deve
ser confundida como maneiras de se vestir, de andar de ônibus e de ser modesto,
não! Humildade é um ato espiritual, anímico, que envolve suas atitudes e ações
perante o mundo...
Além de AMOR e HUMILDADE, Freire aponta a
FÉ NOS HOMENS como um pilar também importante de envolvimento com a profissão
de educador. A fé aqui é entendida no sentido de acreditar no poder mutante dos
homens, na pujança da educação como meio transformador de convicções, de tabus,
de hábitos, de cultura e de visões humanas. Acreditar que a educação pode mexer
com povos é ter metas a cumprir em sala de aula. Percebamos que a educação não
muda o mundo, mas muda as pessoas, estas sim mudam o mundo, no dizer dele.
Ainda pensando nos pilares freireanos, há de se comentar a ESPERANÇA, pilar
fortemente associados à fé, pois, esperança é desejar que as mudanças ocorram.
Aquela história de que: "os alunos não querem nada" é questionável,
pois eles podem não saber o que querem, mas eles querem algo... basta mediarmos
o contato deles com o conhecimento. Se não acreditarmos que nosso trabalho é um
meio potencial de mexer com as pessoas, porque ainda somos professores?
O último pilar apontado por Freire como
sustentação da Educação é o PENSAR CRÍTICO. Esse pilar é forte quando pensamos
que não basta mediarmos o conhecimento dos nossos alunos se nós somos alienados...
seria "faça o que digo, mas não faça o que faço"... Precisamos estar
cientes do nosso papel e do nosso dever. Tal afirmação é importante no que
tange à necessidade de o professor precisar ser qualificado e preparado para
atender às demandas sociais. Pensar criticamente é refletir sobre o exercício
da profissão e tudo que está subjacente a ela. Observamos, então, que os cinco
pilares de Freire são interligados e funcionam plenamente quando estão
associados. Paulo Freire exemplifica perfeitamente sua proposta ao sugeri-la e,
não, impô-la severamente. O mais exemplo de Freire foi realmente as ações
engendradas por ele. Se elas serão aceitas por nós, integral ou parcialmente,
se tentarmos... vamos?

Cordiais saudações,
Erasmo.
Muito bom seu texto, Erasmo, bem escrito e muito esclarecedor. Vale a pena ser lido.
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