quarta-feira, 26 de junho de 2013
DIÁRIO DE BORDO – Aula III
Conheci Paulo Freire e sua Pedagogia do oprimido na graduação em Letras, antes de começar a dar aulas. A identificação entre os cinco pilares da educação e as minhas concepções acerca da profissão docente foi imediata. Iniciando minha atividade docente, percebi o quanto seria difícil colocá-los em prática em uma sociedade em que o amor, a humildade, a fé nos homens, a esperança e o pensar crítico estão cada dia mais escassos. O discurso que continua prevalecendo nas salas de aula é o da imposição de respeito pelo medo, da supremacia do saber acadêmico, da educação bancária, da unilateralidade do conhecimento. Minha primeira experiência foi como professora de um laboratório de redação em uma instituição de ensino privada. Quando se trata de escolas dessa natureza, salvo raras exceções, a conduta esperada por parte do professor é exatamente a tradicional e produtivista. Embora em meio às dificuldades, resisti contra tal postura, buscando sempre o diálogo franco e aberto, sem qualquer espécie de dominação, com humildade e disposição de compartilhar o que sei e de aprender, com meus alunos, o que ainda não conheço. Minha preocupação era com o desenvolvimento da percepção deles acerca do mundo, a fim de constituírem um pensar crítico e solidário, marcado pela minha fé nos homens e pela esperança de se construir uma sociedade mais justa. Os temas abordados em minhas propostas de redação proporcionavam sempre reflexões dos problemas sociais. Ao ingressar na Rede Pública de Ensino, mantive minha postura e meu compromisso, visando o objetivo citado. Percebi o quanto nossa classe ainda conta com profissionais distantes dessa visão, adeptos da dominação, sem enxergarem que eles mesmos sofrem as consequências de não levarem em conta os cinco pilares de Paulo Freire. Sem afeto, não há interesse por parte dos alunos, consequentemente, não há aprendizado nem a formação de um sujeito capaz de buscar uma sociedade verdadeiramente igualitária ou menos desigual. Muitos de meus colegas reclamam de seus salários, mas, infelizmente, perpetuam, por meio de sua postura em sala, o sistema que lhes impõe tamanha arbitrariedade. Nesse ponto, ganha notoriedade a nossa responsabilidade, como professores da UFC Virtual, na formação de docentes cuja postura seja coerente com uma renovação social e política da qual necessitamos, e a melhor forma de repassar aos nossos futuros professores esses valores é por meio do exemplo. Sejamos, portanto, exemplo de humildade, amor, fé nos homens e de esperança numa sociedade justa, por meio da aproximação, da tolerância e do respeito aos nossos alunos.
Renata Aguiar Nunes
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É verdade, Renata, muitos profissionais não enxergam que o trabalho que fazem volta para eles mesmos (podemos lembrar do texto do carpinteiro). Um trabalho sério e competente não resulta em vantagens apenas para os alunos; o professor também irá colher bons frutos, sentido-se satisfeito e recompensado e, com o tempo, verá a importância de suas ações como educador.
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