domingo, 9 de junho de 2013

 Paulo Freire, liberdade e dialogicidade
Por  Ricardo Gondim

Paulo Freire é uma exceção; um dos raros brasileiros reconhecido na academia internacional. Aprendi a lê-lo nesta fase tardia da minha caminhada espiritual. Surpreso com a sua sensibilidade e rigor intelectual, já degustei alguns dos seus clássicos, como “Pedagogia do Oprimido”, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, 2005.
O capítulo 3, especialmente, encantou-me. Nele, Freire trata do que chamou de “dialogicidade”. Diálogo não só para conversar, mas para transformar o mundo, ou de “pronunciar o mundo”. Pois o diálogo “é este encontro dos homens [e mulheres], mediatizados pelo mundo para pronunciá-lo, não se esgotando, portanto, na relação eu-tu. Esta é a razão porque não é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que não a querem; entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra e os que se acham negados deste direito”.
Abismado com a espiritualidade (embora não religiosa) de Freire, concordo que o amor “como ato de valentia, não pode ser piegas; como ato de liberdade, não pode ser pretexto para a manipulação, senão gerador de outros atos de liberdade. A não ser assim, não é amor”.
Minha esperança é que se resgate Freire entre os evangélicos; caso os líderes se valerem de seus conceitos haverá, certamente, menos espírito de rebanho nas igrejas.
O legalismo, que infelizmente ainda predomina no movimento evangélico, não gera cristãos com os anseios da liberdade que Paulo, o apóstolo, ensinou: “Foi para a liberdade que Cristo lhes libertou”. Freire afirma que uma liberdade desse tipo “requer que o indivíduo seja ativo e responsável, não um escravo nem uma peça bem alimentada da máquina. Não basta que os homens não sejam escravos; se as condições sociais [ou religiosas] fomentam a existência de autômatos, o resultado não é o amor à vida, mas o amor à morte (p.62)

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