Paulo Freire, liberdade e dialogicidade
Por Ricardo Gondim
Paulo Freire é uma exceção; um dos raros brasileiros reconhecido na
academia internacional. Aprendi a lê-lo nesta fase tardia da minha
caminhada espiritual. Surpreso com a sua sensibilidade e rigor
intelectual, já degustei alguns dos seus clássicos, como “Pedagogia do
Oprimido”, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, 2005.
O capítulo 3, especialmente, encantou-me. Nele, Freire trata do que chamou de “dialogicidade”. Diálogo não só para conversar, mas para transformar o mundo, ou de “pronunciar o mundo”. Pois o diálogo “é este encontro dos homens [e mulheres], mediatizados pelo mundo para pronunciá-lo,
não se esgotando, portanto, na relação eu-tu. Esta é a razão porque não
é possível o diálogo entre os que querem a pronúncia do mundo e os que
não a querem; entre os que negam aos demais o direito de dizer a palavra
e os que se acham negados deste direito”.
Abismado com a espiritualidade (embora não religiosa) de Freire,
concordo que o amor “como ato de valentia, não pode ser piegas; como ato
de liberdade, não pode ser pretexto para a manipulação, senão gerador
de outros atos de liberdade. A não ser assim, não é amor”.
Minha esperança é que se resgate Freire entre os evangélicos; caso os
líderes se valerem de seus conceitos haverá, certamente, menos espírito
de rebanho nas igrejas.
O legalismo, que infelizmente ainda predomina no movimento
evangélico, não gera cristãos com os anseios da liberdade que Paulo, o
apóstolo, ensinou: “Foi para a liberdade que Cristo lhes libertou”.
Freire afirma que uma liberdade desse tipo “requer que o indivíduo seja
ativo e responsável, não um escravo nem uma peça bem alimentada da
máquina. Não basta que os homens não sejam escravos; se as condições
sociais [ou religiosas] fomentam a existência de autômatos, o resultado
não é o amor à vida, mas o amor à morte (p.62)
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