quarta-feira, 19 de junho de 2013
OS CINCO PILARES DE PAULO FREIRE E A TUTORIA NA UFC
Muito temos estudado os conceitos de Paulo Freire e consequentemente é um dos estudiosos da pedagogia mais citados e seguidos (pelo menos no discurso). De acordo com Paulo Freire os cinco pilares que devem nortear a educação são: amor, humildade, fé nos homens, esperança e, um pensar crítico.
Embora, todos os pedagogos conheçam tais princípios, ainda presenciamos atitudes que contrariam, sobretudo, a humildade, no que diz respeito ao trato com os alunos. Trazendo para o nosso curso e atuação, devo citar que estou a três anos trabalhando na tutoria da UFC e já atuei em seis polos, sendo que todos sem exceção reclamam da arrogância no comportamento de alguns tutores na prática de tutoria. Muitos se apresentam como professores da UFC, o que não é verdade, a fim de demonstrarem poder e altivez com o intuito de controlar os alunos. Essa prática vem sendo um dos motivos para o crescimento da evasão, desistência dos cursos. É necessário perceber que muitos dos alunos que ali estão são professores leigos há anos e muito têm para nos ensinar de prática de sala de aula, eles não têm o diploma, mas possuem experiência, merecem respeito. Para que se faça um trabalho bem feito, a meu ver, é preciso ter amor, fazer com amor. Caso contrário o trabalho se tornará um pesado fardo. No nosso caso, gostar de viagens, internet, informática, da disciplina que leciona, e principalmente de gente.
Sabemos das dificuldades que os alunos dos cursos EAD enfrentam e com os alunos dos cursos semipresenciais da UFC não seria diferente. São alunos em sua maioria, professores de 40h semanais de trabalho, que ganham pouco e sem tempo para dedicação ao estudo e ainda moram longe dos polos, promovendo a dificuldade de acesso aos Polos nos dias dos encontros presenciais. Desta forma têm dificuldades na execução das atividades e no comparecimento aos encontros presenciais, o que ocasiona a reprovação por notas ou faltas, outro motivo de desestímulo e evasão. Entretanto, não podemos perder a fé na capacidade deles, não podemos perder a fé na qualidade de nossas aulas, não podemos perder a fé na aprendizagem eficiente dos alunos. Temos que acreditar no projeto e fazer valer a pena. E é aqui também onde entra a esperança de uma educação mais prazerosa, mais motivadora e com pelo menos o mínimo necessário para que colaboremos com professores possuidores de diplomas que irão refletir na prática e no sucesso das salas de aula e no profissional dos alunos favorecidos. Ter esperança que os alunos dos cursos semipresenciais da UFC serão profissionais qualificados e ter esperança de uma educação de inclusão, para todos, sem distinção, sem distância.
Porém, não é porque os cursos EAD repassam mais autonomia ao aluno em detrimento aos professores-tutores que iremos deixar relaxar na organização, na exigência do mínimo necessário para obter o diploma. Somos responsáveis pela formação de cidadãos críticos e para se adquirir ‘criticidade’ no sentido eficiente da palavra é imprescindível que tenhamos postura para isso, ou seja, temos que ser exemplos. Isso implica em cumprir com nossos deveres com transparência e exigir que os alunos também cumpram com os deles. Costumo dizer que criticidade é algo que contagia. Um pensamento crítico se constrói com a convivência, com os exemplos, com a leitura, com o exercício da opinião. Os fóruns do SOLAR são ambientes favoráveis para a prática do pensamento crítico e devemos incentivar o uso. Podemos trabalhar na educação sem os cinco pilares de Paulo Freire? Certamente que sim! Mas, sem dúvida, por um curto espaço de tempo.
Fortaleza, 17 de junho de 2013.
Janiéles Araújo Neres
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Há muitos pontos interessantes em seu texto, Janieles, e que devem nos levar a refletir sobre nosso trabalho. Destaco o que você diz sobre a valorização dos saberes dos nossos alunos. Acho muito importante o tutor ter essa consciência. De acordo com Paulo Freire, não saber melhor do que o outro, o que há são saberes diversos.
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