segunda-feira, 10 de junho de 2013


OS CINCO PILARES DA EDUCAÇÃO DE PAULO FREIRE NA PRÁTICA DA EAD

O Amor

Sim, o amor é essencial ao educador. Considero a profissão de professor especial e penso que para abraçá-la, o profissional tem que amá-la. Não consigo imaginar um bom professor que não goste do que faz. Acredito que os professores têm uma função, um papel importante na formação das pessoas. Até hoje, lembro-me de professores que fizeram diferença na minha educação e os admiro: o que esses professores tinham em comum? Amavam o que faziam. Da mesma forma, quero ser lembrada por meus alunos. Gosto da interação, gosto de olhar nos olhos do aluno e vê-lo descobrir algo. No contexto dos cursos semipresenciais, aproveito a proximidade dos encontros presenciais para ter este contato mais visual. Porém, como a carga horária maior é à distância, procuro amenizar a falta deste contato por meio da comunicação nas mensagens, nos fóruns ou nos chats, em consonância às afirmações da Profª. Priscila Barros: “Sentimentos de afetividade também podem ser praticados em trocas comunicativas da EaD.”  E nessa comunicação, penso que seja fundamental usar as saudações iniciais e finais, dirigir-se ao aluno pelo nome, servir-se dos recursos paralinguísticos e acompanhar com frequência as mensagens.  

Humildade

Conforme elucidam os textos de nossa aula, a ‘humildade’ está intrinsecamente ligada à noção de diálogo. Sem sombra de dúvidas, nós professores não podemos nos colocar na posição de detentores do saber, nem classificarmos nossos alunos como ‘depositários’. Deve haver uma troca, temos que entender que, apesar de termos caminhado um pouco mais do que nossos alunos, não somos senhores do conhecimento. Além do mais, realmente o ensino unidirecional não é tão produtivo, como o trabalho baseado no diálogo, na construção coletiva do conhecimento. Como aluna, na faculdade, tive dois professores que trabalhavam de forma completamente diferente um do outro. O primeiro, professor de ‘Psicologia da Educação’ me ensinou o que não devo fazer: ele dizia que o professor não podia ministrar uma aula unidirecional, na qual o professor fala e os alunos escutam, deveria haver uma interação... Bem, ele falava..., mas sua prática como professor era oposta a sua teoria. Não podíamos interrompê-lo, perguntas – só no final da aula, nos cinco minutos finais. O conteúdo de suas provas eram questionários com as respostas dele. Era só decorar e tirar 10,0! Desculpem-me, mas era absurdo. A segunda foi minha professora de Estágio em Ensino de Língua Portuguesa, sua aula era depois do almoço – 13:30, na ‘hora do sono’.  Não obstante, tratava-se de uma aula tão dinâmica que era impossível não se envolver. Partindo da nossa leitura prévia, a professora “extraía” o máximo de conhecimento que podia dos alunos e, partindo daí, ministrava sua aula sempre em interação constante. Sua criatividade era contagiante. Competente, foi-nos excelente orientadora de estágio. Essa prática dialógica encontra espaço mais do que propício na EAD. Basta destacar, por exemplo, a ferramenta do ‘Fórum’. O nome já diz: fórum de discussão. É nesta sala de aula virtual que devemos trocar saberes com nossos alunos. É claro que para tanto é fundamental, da nossa parte como tutores, uma postura de orientadores, mediadores, instigadores. Temos que acompanhar e estimular nossos alunos. Por outro lado, os alunos devem corresponder ao estímulo.   

 

Fé nos homens

Com toda propriedade, o texto de Barros e Castro identifica a aproximação deste pilar com o anterior, uma vez que de nada adianta ter humildade, se não se tem fé no próximo. Chamou-me a atenção, especialmente, a frase: “Fé na sua vocação de ser mais, que não é privilégio de alguns eleitos, mas direito dos homens”. Entretanto, nem sempre é fácil manter esta fé forte e presente, principalmente dependendo do desempenho do aluno. Esta fé não pode, de forma alguma, ser passiva, ilusória. Que todos têm vocação, não há dúvida. Contudo, quantos realmente estão dispostos a trabalhar para atingir suas metas? Nossa função é incentivar, acreditar... Mas o aluno tem que querer, ter fé em si mesmo e agir.

 

Esperança

Assim também, como assevera Freire, a esperança tem seu respaldo na luta. Se não há esforço, não há o que se esperar. Acredito ser importante conversarmos com nossos alunos sobre seus objetivos, incitando-os a alcançá-los e enfatizar que para isto deve-se ter uma esperança comprometida e focalizada. Muitos alunos queixam-se de não dar conta das tarefas porque fazem ‘mil coisas’ ao mesmo tempo. Com base no bom senso e no ritmo de cada um, costumo aconselhar a análise dos compromissos assumidos. Afinal, como diz o ditado, não se pode abraçar o mundo...

 

Pensar Crítico  

“Requisito indispensável à educação dialógica”. Indubitavelmente, o pensar crítico deve fazer parte do diálogo, da educação seja ela presencial, semipresencial ou à distância. Todos nós temos que ser questionadores, temos que refletir acerca do conhecimento que apreendemos no nosso dia-a-dia. Sobre este ponto, achei interessante a colocação de alguns de meus alunos em um dos fóruns de Literatura Brasileira. O tema do fórum envolvia uma discussão existente no meio acadêmico acerca de quando surgiu a Literatura Brasileira (na verdade, eram vários questionamentos, mas este era um dos principais). Depois de algumas postagens, os alunos mostraram-se inquietos, pois não viam uma conclusão, nem da minha parte. E questionavam: “Afinal, professora, quem está certo?” Então, em uma das postagens comentei: “De fato, pessoal, os textos apresentam opiniões diferentes, mas por quê? Justamente porque essa questão - de 'quando' surgiu a literatura brasileira - e outras não é ponto pacífico no mundo das letras. Há divergências e nós estamos aqui para discutir mesmo (no bom sentido), para refletirmos e colocarmos aqui nossas opiniões.” A “discussão” prosseguiu nos dias subsequentes e pude perceber pelas demais postagens a compreensão dos alunos de que não havia uma resposta certa, mas havia inúmeras trocas de considerações relevantes concernentes a um tema rico e que exigia muito um pensar crítico.   
Abraços

Um comentário:

  1. O diferencial de um bom professor, Ana, é mesmo gostar do que faz, acreditar em seu trabalho e levar o aluno a acreditar em si mesmo.
    Nos fóruns de discussão, como você disse, temos a possibilidade de estimular nossos alunos, de levá-los a pensar com mais criticidade, colocando questionamentos, sugerindo leituras, estimulando a interação.

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