OS CINCO PILARES DA EDUCAÇÃO DE PAULO FREIRE NA PRÁTICA DA
EAD
O Amor
Sim,
o amor é essencial ao educador. Considero a profissão de professor especial e
penso que para abraçá-la, o profissional tem que amá-la. Não consigo imaginar
um bom professor que não goste do
que faz. Acredito que os professores têm uma função, um papel importante na
formação das pessoas. Até hoje, lembro-me de professores que fizeram diferença
na minha educação e os admiro: o que esses professores tinham em comum? Amavam
o que faziam. Da mesma forma, quero ser lembrada por meus alunos. Gosto da
interação, gosto de olhar nos olhos do aluno e vê-lo descobrir algo. No
contexto dos cursos semipresenciais, aproveito a proximidade dos encontros
presenciais para ter este contato mais visual. Porém, como a carga horária maior
é à distância, procuro amenizar a falta deste contato por meio da comunicação
nas mensagens, nos fóruns ou nos chats, em consonância às afirmações da Profª.
Priscila Barros: “Sentimentos de afetividade também podem ser praticados em
trocas comunicativas da EaD.” E nessa
comunicação, penso que seja fundamental usar as saudações iniciais e finais,
dirigir-se ao aluno pelo nome, servir-se dos recursos paralinguísticos e
acompanhar com frequência as mensagens.
Humildade
Conforme elucidam os
textos de nossa aula, a ‘humildade’ está intrinsecamente ligada à noção de
diálogo. Sem sombra de dúvidas, nós professores não podemos nos colocar na
posição de detentores do saber, nem classificarmos nossos alunos como ‘depositários’.
Deve haver uma troca, temos que entender que, apesar de termos caminhado um
pouco mais do que nossos alunos, não somos senhores do conhecimento. Além do
mais, realmente o ensino unidirecional não é tão produtivo, como o trabalho
baseado no diálogo, na construção coletiva do conhecimento. Como aluna, na
faculdade, tive dois professores que trabalhavam de forma completamente
diferente um do outro. O primeiro, professor de ‘Psicologia da Educação’ me
ensinou o que não devo fazer: ele dizia que o professor não podia ministrar uma
aula unidirecional, na qual o professor fala e os alunos escutam, deveria haver
uma interação... Bem, ele falava..., mas
sua prática como professor era oposta a sua teoria. Não podíamos interrompê-lo,
perguntas – só no final da aula, nos cinco minutos finais. O conteúdo de suas
provas eram questionários com as respostas dele.
Era só decorar e tirar 10,0! Desculpem-me, mas era absurdo. A segunda foi minha
professora de Estágio em Ensino de Língua Portuguesa, sua aula era depois do
almoço – 13:30, na ‘hora do sono’. Não
obstante, tratava-se de uma aula tão dinâmica que era impossível não se
envolver. Partindo da nossa leitura prévia, a professora “extraía” o máximo de
conhecimento que podia dos alunos e, partindo daí, ministrava sua aula sempre
em interação constante. Sua criatividade era contagiante. Competente, foi-nos
excelente orientadora de estágio. Essa prática dialógica encontra espaço mais
do que propício na EAD. Basta destacar, por exemplo, a ferramenta do ‘Fórum’. O
nome já diz: fórum de discussão. É nesta sala de aula virtual que devemos
trocar saberes com nossos alunos. É claro que para tanto é fundamental, da nossa
parte como tutores, uma postura de orientadores, mediadores, instigadores. Temos
que acompanhar e estimular nossos alunos. Por outro lado, os alunos devem
corresponder ao estímulo.
Fé nos homens
Com
toda propriedade, o texto de Barros e Castro identifica a aproximação deste
pilar com o anterior, uma vez que de nada adianta ter humildade, se não se tem
fé no próximo. Chamou-me a atenção, especialmente, a frase: “Fé na sua vocação
de ser mais, que não é privilégio de alguns eleitos, mas direito dos homens”.
Entretanto, nem sempre é fácil manter esta fé forte e presente, principalmente
dependendo do desempenho do aluno. Esta fé não pode, de forma alguma, ser
passiva, ilusória. Que todos têm vocação, não há dúvida. Contudo, quantos
realmente estão dispostos a trabalhar para atingir suas metas? Nossa função é
incentivar, acreditar... Mas o aluno tem que querer, ter fé em si mesmo e agir.
Esperança
Assim também, como
assevera Freire, a esperança tem seu respaldo na luta. Se não há esforço, não
há o que se esperar. Acredito ser importante conversarmos com nossos alunos
sobre seus objetivos, incitando-os a alcançá-los e enfatizar que para isto
deve-se ter uma esperança comprometida e focalizada. Muitos alunos queixam-se
de não dar conta das tarefas porque fazem ‘mil coisas’ ao mesmo tempo. Com base
no bom senso e no ritmo de cada um, costumo aconselhar a análise dos
compromissos assumidos. Afinal, como diz o ditado, não se pode abraçar o
mundo...
Pensar
Crítico
“Requisito indispensável à educação
dialógica”. Indubitavelmente, o pensar crítico deve fazer parte do diálogo, da
educação seja ela presencial, semipresencial ou à distância. Todos nós temos
que ser questionadores, temos que refletir acerca do conhecimento que
apreendemos no nosso dia-a-dia. Sobre este ponto, achei interessante a
colocação de alguns de meus alunos em um dos fóruns de Literatura Brasileira. O tema do fórum envolvia uma discussão
existente no meio acadêmico acerca de quando surgiu a Literatura Brasileira (na
verdade, eram vários questionamentos, mas este era um dos principais). Depois
de algumas postagens, os alunos mostraram-se inquietos, pois não viam uma
conclusão, nem da minha parte. E questionavam: “Afinal, professora, quem está
certo?” Então, em uma das postagens comentei: “De fato, pessoal, os textos apresentam opiniões diferentes,
mas por quê? Justamente porque essa questão - de 'quando' surgiu a literatura
brasileira - e outras não é ponto pacífico no mundo das letras. Há divergências
e nós estamos aqui para discutir mesmo (no bom sentido), para refletirmos e
colocarmos aqui nossas opiniões.” A “discussão” prosseguiu nos dias
subsequentes e pude perceber pelas demais postagens a compreensão dos alunos de
que não havia uma resposta certa, mas
havia inúmeras trocas de considerações relevantes concernentes a um tema rico e
que exigia muito um pensar crítico.
Abraços
O diferencial de um bom professor, Ana, é mesmo gostar do que faz, acreditar em seu trabalho e levar o aluno a acreditar em si mesmo.
ResponderExcluirNos fóruns de discussão, como você disse, temos a possibilidade de estimular nossos alunos, de levá-los a pensar com mais criticidade, colocando questionamentos, sugerindo leituras, estimulando a interação.