A primeira coisa que lembro sobre
a palavra “amor” dentro do ambiente escolar, são das semanas pedagógicas onde
gestores tentam incutir na cabeça de professores que devemos fazer e aguentar
tudo “por amor”. Se somos mal pagos, não tem problema pois ensinamos “por amor. Uma pena que um homem tão nobre
como Paulo Freire tenha tido suas ideias, deturpadas e repetidas de maneira
equivocada e descontextualizada , virou até moda!!
O amor a que Paulo Freire se referia era um amor maior, um sentimento
de solidariedade ao próximo, amor que constrói, amor que anda junto. Amor que
grita e denuncia as injustiças sociais, amor que ensina a pescar, em vez de dar
o peixe. Só conhece esse amor quem é humilde, quem sabe que pode aprender com
o outro, quem sabe que cada um de nós tem seu valor e quem acredita que todo homem tem a capacidade de ser melhor, desde que
lhe seja dada essa oportunidade. Foi nisso que ele acreditou, e a sua esperança deixou sua obra como legado.
Legado esse que infelizmente, poucos sabem praticar.
Imaginem vocês como seria esse país
se a educação tivesse seguido os verdadeiros preceitos freirianos? Se a
educação fosse vista como o caminho para a autonomia do indivíduo como um todo,
hoje os brasileiros não seriam vítimas da banalização da violência, da
corrupção, dos desmandos políticos. Um homem que aprendesse pensar não aceitaria os apelos fundamentalistas das
religiões, não aceitaria o fortalecimento absurdo dos preconceitos(disseminados
na música, na programação de TV, nos modismos e atitudes), das injustiças com índios,
mulheres e outras “minorias” que estão perdendo os direitos garantidos pela
Constituição de 1988. Não estaríamos vivendo numa nação que priva o homem de
aprender a pescar, mas que pousa de boazinha dando esmolas a sua leva de
miseráveis.
Concordo com você, Alessandra, se a educação se baseasse, efetivamente, na verdadeira formação humana, com certeza, o mundo seria muito melhor, pois pessoas educadas sabem tratar o próximo com respeito e valorizar a singularidade de cada um. Sabemos que a falta de educação, muitas vezes, gera violência e intolerância.
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