quarta-feira, 19 de junho de 2013

As lições de Paulo Freire e a EAD



A pedagogia de Paulo Freire revolucionou o modo de se pensar educação. Ela atravessa décadas e aponta, com assombrosa atualidade mesmo em dias de novos conceitos (como educação semipresencial, e até não-presencial), caminhos para a lida docente.
            São cinco os pilares freirianos: Amor, Humildade, Fé nos Homens, Esperança e um Pensar Crítico. E um desafio moderno: trazê-los à proximidade da EAD. 
            Em Freire, fazer pedagogia é dialogar, e todo diálogo pressupõe amor. Assim, o ensino, seja em qualquer plataforma, só pode ser realizado quando estabelecidas condições amorosas para tanto. É a postura dos corpos docente e discente que vai ditar o sucesso dessa mesma relação. Essas condições amorosas são frutos dos outros pilares principais.
A começar pela Humildade, sem a qual, explica o eminente professor, não se pode alcançar o diálogo. Não é possível, por exemplo, dialogar com um aluno semipresencial alienando ignorância, isto é, partindo sempre do pressuposto de que é ele quem está enganado, confundindo textos, postando informações equivocadas, sendo incoerente aos questionamentos deles. É a Humildade que questiona: “talvez eu não tenha entendido o que ele disse”. Questionamento, aliás, que constrói.
E a mesma Humildade só pode ser alcançada com Esperança e Fé nos homens. Nenhum professor pode omitir-se a isto: fé de que o aluno pode sempre conseguir mais, tentar mais, construir mais e esperança de um dia vê-lo conseguindo mais, tentando mais e construindo mais. Esperar é, para Freire, lutar pelo resultado que se pretende. Por exemplo, na EAD é imprescindível se aproximar de um determinado aluno e buscar dele, por estímulos ou por questionamentos, mais.
            E por fim, o Pensar Crítico é crucial quando aliado à Humildade e à Esperança. Nem sempre os alunos terão os mesmos pontos de vistas dos seus professores. Cabem a estes segundos separar o que é subjetivo, com Humildade de aceitar novas propostas e idéias, e o que é objetivo (correções pontuais em erros que independem de teores opiniosos), lutando para (esperando) que ele sempre consiga construir sua identidade com mais destreza e potência.
Fonte: FREIRE, Paulo
Pedagogia do oprimido, 17ª. Ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987.         

Um comentário:

  1. Assim como você, Telma, acredito que a humildade é essencial para que exista diálogo entre professor e aluno. Respeitar os saberes do outro e acreditar que temos muito a aprender com as pessoas que convivem conosco é uma forma eficaz de evoluirmos como pessoas e como profissionais.

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