O DIALOGISMO FREIREANO PARA AS INCERTEZAS DE HOJE
As discussões propostas
pelos estudos da pedagogia de Paulo Freire versam sob muitos aspectos
fundamentais para a prática docente, dentre eles o dialogismo entre os homens e
os saberes. A flexibilidade e autonomia, respectivamente, do professor e do
aluno devem atrelar-se para conduzir a aprendizagem significativa. Para Davi e
Castro-Filho (2009), os cinco pressupostos que norteiam a relação dialógica
entre professor e aluno são: “amor, humildade, fé nos homens, esperança e
pensar crítico”.
Discutiremos cada um desses
elementos ao longo deste texto, procurando associá-lo a prática docente do
professor tutor e estudantes pupilas.
Ao iniciar com a categoria “amor”,
direcionada à atividade docente, Paulo Freire sugere ao professor criar
momentos de empatia com o discente para que, desse modo, possa construir laços
afetivos capazes de uni-los. Além disso, o amor na educação constrói-se como
atividade de compromisso e responsabilidade intelectual para com o outro. Tal
fato só é possível a partir da humildade provocada pelo diálogo aberto e
flexibilidade que o mestre deve ter com seus discípulos e vice-versa. Portanto,
é necessário saber compreender e enxergar no outro suas próprias limitações,
defeitos e qualidades. Assim, Paulo Freire sustenta que não há diálogo com
ignorância.
Além disso, o diálogo só é
passível de acontecer, se vier atrelado à capacidade humana de acreditar no
potencial do outro. Muitos professores são fundamentais para determinar a
rejeição ou aceitação de um pensamento crítico, ou mesmo, a escolha
profissional do estudante, dentre outras possibilidades. Isso ocorre devido a
competência do ser humano em acreditar uns nos outros, ou seja, a fé nos homens
alicerça os pilares para a educação.
Nesse sentido, a esperança
no futuro através do outro direciona os objetivos da aprendizagem, afinal o aluno
espera no professor e este ambiciona o sucesso daquele. O diálogo faz-se por
meio de uma justaposição de pensamentos e ideias.
Para finalizar, Paulo Freire
ambiciona o pensar crítico como sendo a efetivação da autonomia do sujeito em
processo de aprendizagem. Ou seja, o professor deve conduzir seu aluno para o
pensar reflexivo, por isso autônomo e crítico, afinal conjecturar suas próprias
opiniões requer conhecimento e sabedoria.
Ao relacionar a
dialogicidade freireana com o mundo contemporâneo, sobretudo, com a EAD e a
atividade docente de tutoria, vários destes fundamentos tornam-se essenciais
para conduzir o bom andamento da disciplina, bem como o semestre letivo. O
tutor empenhado conduz seus alunos por meio de um diálogo flexível, mas com responsabilidade
de fazer valer a pena as colunas da educação. Se associarmos as ideias de
Freire às do educador e filósofo francês Edgar Morin, especialmente, no livro “Os
sete saberes necessários à educação do futuro”, veremos um intercâmbio do
ensino pelo viés do conhecimento qualitativo. Segundo Morin, a universidade e o
professor devem instruir o aluno para lidar com as incertezas da vida profissional
e do mundo, a fim de que os estudantes desenvolvam suas habilidades e
competências também para o crescimento pessoal.
Desse modo, nossa prática de
tutoria consiste numa espécie de aprendizado e dialogismo dinâmicos, principalmente,
na medida em que também lidamos (sem preconceito, ou melhor, sem arrogância)
com algumas incertezas, por exemplo: quanto à estrutura do município e do Polo,
se teremos material audiovisual para direcionarmos a aula de maneira
diversificada; o cuidado de não sermos démodé e utilizarmos em demasia os
recursos digitais ou mesmo uma linguagem que distancia-nos dos alunos; nossas
condições precárias de trabalho e falta de reconhecimento, dentre outras (in) certezas
da profissão.
Com base nisso, precisamos analisar nossa
atividade de tutoria compreendendo que, as teorias de Paulo Freire mantêm-se
atuais e merecem ser revisitadas com o olhar crítico às incertezas do mundo
contemporâneo.